
Graveola e o Lixo Polifônico
Uma das minhas mais agradáveis descobertas musicais das últimas. Saca a auto-definição dos caras:
"Graveola e o lixo polifônico é uma oficina de experimentação, uma caixa de possibilidades poético-sonoras. São improvisadores capengas, falsários poliformes: tudo é referência na colagem musical do grupo. Das aproximações insólitas, o choque. Reagem os nomes: estética do plágio, pós-tropicalismo,culinária sonora, barroco-beat. Para além dos inúmeros rótulos auto-intitulados, mais importa a fertilidade plástica das imagens da lixofonia, o infindável e redobrável slogan que lhes constitui a lírica. Dos sotaques refinados ao kitsch, o lixo polifônico sequestra a legibilidade vomitada do pop e incorpora tudo ou qualquer coisa como ferramenta sonora, mistura o fino e o grosso a ponto de torná-los indistinguíveis. “Eis o liquidificador, o totem”.
Meio Samba, meio Sidney Magal, meio Los Hermanos, meio salsa, meio impossível de rotular, mas afinal, pra quê rótulo? Eu recomendo MESMO.
No www.graveola.com.br, consegue-se baixar o CD gratuitamente.
Recomento em especial as faixas "Dois lados da canção", "Samba de outro lugar", "Insensatez, a mulher que fez" e "Antes do Azul (papara)".
Tira gosto:
Dois Lados da Canção
(Graveola - Jose Luis Braga, Luiz Gabriel Lopes)
quando eu ouço as canções que eu fiz pra você
o tempo vem dizer
o que o tempo deve ser
o espaço em que agora o meu passo chegar
vai dizer:- amanhã já é outro lugar
eu juro que é melhor enfim
eu juro vai ser melhor assim
eu já não ligo mais para você
hoje não canto
não falo, não saio, não durmo bem
não falo, não saio, não durmo bem
os tênues fios que me ligam a você
estão hoje em prantos
estão hoje em prantos
e no entanto arriscamos tanto nos envolver
desligo você
nus, deslizamos
pra que te esquecer se o amor é tanto?
existo em você por louco engano

Nenhum comentário:
Postar um comentário