terça-feira, 9 de novembro de 2010

EMBRIAGAI-VOS




"É necessário estar sempre bêbedo. 
Tudo se reduz a isso; eis o único problema. 
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar. 
Mas de quê? 
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha. 
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, 
perguntai-lhes que horas são; 
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
É hora de se embriagar! 
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! 
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha."
(Baudelaire)

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