Aí depois de muito tempo vocês se falam de novo. De uma maneira leve, descontraída, lembrando o que era lá no início.
Aí vocês fazem planos de que, assim que se julgasse a hora certa, seria pra ontem preparado um programa diferente, um lugar neutro, um jogo de tabuleiro, boa música e uma cervejinha gelada
Aí, não menos importante, fica tratado que não Se falaria de passado nem de futuro, não naquele esperado reencontro pelo menos.
Aí você ouve que o outro está determinado em não se deixar levar fácil por qualquer relacionamento, que já não tem mais a mesma paciência pra pequenos problemas que causam grandes stresses e mais, que numa mudança de pensamento pra vida, ja não admitiria mais certos comportamentos dentro de um relacionamento, você estranha, titubeia, mas até concorda, é bem coerente, afinal.
Aí vocês combinam até de, quem sabe, cada um levar por escrito aquilo o que acha que ele próprio tenha errado pra que dessa forma, alternativa, talvez fosse o caminho pra amenizar os antigos problemas, não necessariamente neste reencontro, mas antes ou depois, quando fosse cabido no único intuito de lavar toda a roupa suja e deixar pra trás as mágoas do passado.
Aí ambos chegam num impasse de como seria a convivência com aquelas pessoas próximas a cada um, de ambos os lados, pessoas essas que de alguma maneira acabaram participando, obrigatoriamente, dos problemas que eram só dos dois. Difícil a solução. Mas ainda sim, vê-se que é possível.
Aí vocês se falam sobre assuntos familiares e pessoais, antes mesmo de definirem a tal data mais adequada pra tal reencontro, dividindo cada um coisas pessoais, familiares, etc.
Bom, ai.
Aí. Difícil expressar em palavras.
Aí você se depara do nada com aquela pessoa com a qual tudo isso foi combinado, orgulhosamente se expondo num novo amor, com um sorriso tão feliz como você mesmo há tempos não via, jogando, tomando cerveja e fazendo questão de que Deus e o mundo (e você próprio também, pois poderia ser preservado se fosse opção do outro) vissem o que estava acontecendo.
Um baque. Um nó
Na cabeça.
Na garganta.
No coração.
Um que dói, dói.
Aí é só quem sente pra explicar.
Aí você não entende nada.
Aí você acha que é provocação. Mas nem é.
Aí você pensa em ligar, xingar, desiste, pensa em beber, sair, desiste, olha de novo e de novo. Não há coragem sequer pra perguntar o que aconteceu. Não há reação. Não há lugar. Não há com quem dividir. É você com você mesmo.
E na tentativa mais nobre de tentar ser sensível, carinhoso e respeitoso, talvez como nunca se tenha sido até então, você decide (tentar) entender, exercer empatia, reconhecer a felicidade estampada na cara do outro naquela nova situação e, querendo o bem dele, engole a seco, faz de maduro e se posiciona brandamente, sem perguntar, sem brigar, apenas reconhecendo A “sorte” dele e dizendo (pois seria um suicidio não dizer) que preferia não ter que ver, conviver com aquelas reiteradas manifestações de tudo o que você gostaria de estar fazendo, do que tinha sido combinado, mas que provavelmente mesmo, você nem seria tão competente pra arrancar aquele sorriso, com aqueles olhinhos fechadinhos. Um que você não via há tanto tempo, naquele tamanho, naquela naturalidade
E nossa, já falei da dor? há tempos não sentia uma dor tão grande, sufocante.
Em outros tempos, brigaria pra tentar ter de volta aqueles Olhinhos fechados. Esbravejaria. Manipularia. Usaria todas as armas.
Mas agora, sabendo que fui em grande parte causador da perda daquele sorriso e, na sequência, ainda na insistência, num lapso de coragem de tentar contato, de um minuto pro outro, esse contato já feito cheio de medo e ansiedade pela reação, receber um tratamento completamente diferente do que o de sempre, um frio, um com descaso e até um certo pedido de afastamento, o que há de se fazer?
O que? Vontade de encher a cara. não posso me dar esse luxo. Vontade de dividir com alguém.quem? Pra que? Você sabe que de alguma forma, você mesmo quem provocou, ou no mínimo deixou que isso acontecesse ao não estar suficientemente perto, então tem que engolir as consequências
Escrever? Ajuda, mas quando a conclusão não chega, o que não é normal em textos meus, só traz mais ansiedade.
Mais vontade de escrever. Mesmo sem
Mais conteúdo.
Bom, aqui acaba esse post. Sem saber
Eu Não sei
Só consigo pensar no fim desse “diário/depósito” de ideias e reflexões que cada vez mais tem menos conexão com minha realidade. A saber.

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