quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Sobre encontro e desencontro fulgaz

Era só ansiedade, muita ansiedade
Sem saber o que esperar 
- Distantes conhecidos - saudade. 
O passado finalmente posto em seu lugar. 

Mas num único abraço, eu já não soube mais 
Se esvaíram os males la de trás 
O toque implorava por mais. 

E então em todos aqueles dias o mundo se calou 
Já não havia o que foi. O que fomos. 
Nada daquilo que a gente estragou. 
Mas o novo, o agora, quem agora somos. 

O cuidado na fala 
Um carinho no olhar 
Conhece amor genuíno?
E fácil, mas difícil explicar 

Tão bonito quanto improvável 
Inteiro porque não prometeu
Braços, pernas, abraços 
Só o bom do que era, renasceu. 

Mencinou-se um quem sabe depois
Como quem não quer admitir
Que as vezes o futuro
Mora numa forma bonita de existir 

Encontro no meio da partida 
“Quem sabes” escritos na despedida 
A sua partida. O meu coração partido. 
Deixou um “será que poderia ser vivido?”
Você. Partida. Volta. Sua vida. 
Eu, despedida, perda de sentido. 

Quase em segredo um “talvez eu mude de direção” 
Mas talvez, o talvez tenha sido pequeno. 
Um sussurro contrariando a razão. 

A segurança sustenta uma revolução. A não segurança, não. 
Apesar de ser mesmo, de todo coração a vontade de tentar
O certo não se troca por tal músculo que não sabe se portar. 
Sem promessa. Só a coragem de admitir ainda que em vão 
Por um instante “poderia ser possível” arriscar 

Há encontros que vem tarde
Há partidas que chegam na hora certa 
Desencontros anunciados num encarte
Chegadas esperadas com pressa. 

Mas um amor sem verdade 
Não encontra. Não chega. Não vê fronteira aberta. 

Há o amor. 
Agora, com dor. 
Buscar torpor
Não ve mais cor
Lembra do sabor 
Da despedaçada flor
Há de haver, senhor.
A hora que acertará. Aprenderá. 
Verá a fronteira aberta. 

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