Que angústia que dá:
Nem é pelo sangue a pulsar!
É ver aquele pra quem valor você dá,
Mendigar de outro, que o suga, o fere, atenção - só serve a de lá!
E ainda que se tente, não adianta, ele incapaz, não compreende
Que, à vera, aquilo que busca e sente
É tão somente uma necessidade de aprovação da gente
Gente?
Sim.
Gente no sentido amplo da palavra, não a 1a - pessoa do plural.
Me refiro a toda a gente no salão. Àquela sedenta plateia, teatral.
Que mais, muito mais do que os atores
Atuam. E sedentas por rubros sabores
Que possam colorir suas vidas, suas flores
Buscando, vermelhos, ao menos imaginar valores
Que não coagulem o que entendem por amores.
Concluo: Amores nunca são indolores!

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