Lembro do tempo em que eu sabia o que dizer
Olho agora e já não sei prever
Por mais que eu tente manter a direção
Eu noto que hoje falha a intuição
Longe das certezas, sigo só com cuidado
Apenas porque o tempo, agora, pesa dobrado
1 vez que o silêncio não mostra o tom certo
Vejo que há sinais pedindo algo mais perto
Em meio ao instante, deixo o impulso ceder
Zerando a pressa pra só compreender
Não tenho respostas prontas pra oferecer
Às vezes a vida pede tempo pra rever
O que resta é seguir no compasso que vier
Se o peso retorna, é pausa pra entender
Ensaio caminhos que possam me servir
Isto é respeito pelo que tenta se manter
Olho de fora, mas sinto o que atravessa
Quando o silêncio fala, é o que mais me acessa
Um gesto não resolve, mas recorda estar aqui
E mesmo quando falha o tom, persiste o ouvir
Falta clareza às vezes, mas não a presença
Até porque todo enredo encontra força na crença
Zelar não é promessa: é forma de permanecer
Eu sigo adiante sem tentar deter
Reitero: avanço mesmo sem saber o que fazer

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