segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Sobre o indizível

Lembro do tempo em que eu sabia o que dizer

Olho agora e já não sei prever


Por mais que eu tente manter a direção

Eu noto que hoje falha a intuição

Longe das certezas, sigo só com cuidado

Apenas porque o tempo, agora, pesa dobrado


1 vez que o silêncio não mostra o tom certo

Vejo que há sinais pedindo algo mais perto

Em meio ao instante, deixo o impulso ceder

Zerando a pressa pra só compreender


Não tenho respostas prontas pra oferecer

Às vezes a vida pede tempo pra rever

O que resta é seguir no compasso que vier


Se o peso retorna, é pausa pra entender

Ensaio caminhos que possam me servir

Isto é respeito pelo que tenta se manter


Olho de fora, mas sinto o que atravessa

Quando o silêncio fala, é o que mais me acessa

Um gesto não resolve, mas recorda estar aqui

E mesmo quando falha o tom, persiste o ouvir


Falta clareza às vezes, mas não a presença

Até porque todo enredo encontra força na crença

Zelar não é promessa: é forma de permanecer

Eu sigo adiante sem tentar deter

Reitero: avanço mesmo sem saber o que fazer




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