Pudera ser só
Uma crise de meia idade
Ou pelo menos, maior: uma e meia verdade
À luz do sol,
de uma inteira, eu abro mão.
Lá dentro, eu sei:
Metade dela me daria razão
O espelho hoje
me mostra esse cansaço,
Maria me pede resposta
Já não tenho o compasso
Explicações
que há tempos não tenho
E o desespero
Se auto explica, se quiser eu desenho
Daí pra cá, pra dentro,
um motor que não dá trégua.
Doces amores que eu tive,
e eu, o sal da entrega.
Bastava eu reconhecer,
tão comum, tão banal:
Mas eu to sempre em fuga,
Eu sempre Imoral
E talvez seja isso
que mais doa em mim:
Afinal, não foi o mundo
que me largou no fim
Fui me deixando pra trás,
aos poucos, quieto…
como quem apaga a luz
pra esconder o que não tá certo.
Confesso de forma atrasada
não tem volta, perdido está
Como essa voz guardada,
Que insiste em semitonar
Eu falho em silêncio,
cresço onde não devia.
Ocupo demais o espaço
Onde eu nem gostaria
E o tempo — o desgraçado —
cobra sem pressa, eu sei.
Mostra no rosto
o que eu já deixei.
Mostra no olhar
O que eu já não respondo
Não dá pra disfarçar
O que antes eu dizia sem pensar
Eu não tenho um motivo,
um canto, nem pressa
mas é sempre a fuga
que chega e dispersa
E quanto mais eu corro,
menos eu me encontro.
Mais eu me apago,
mais eu morro

Nenhum comentário:
Postar um comentário