Joyce, seu silêncio me chama
Esse olhar distante, sem drama
Deve ser calma, uma paz
De quem observa, ouve, mas não faz
Esse olhar distante, sem drama
Deve ser calma, uma paz
De quem observa, ouve, mas não faz
Tenho certeza que ha algo escondido
Uma inteligência que se amplia pelo ouvido
Como aquela música que se repete sem parar
E que por isso mesmo te obriga a uma nova, procurar
É mesmo sua a voz dessa sereia que canta?
Ou no fundo essa voz sai de outra garganta?
Que entre histórias e acordes, comigo cresceu
Trouxe novos timbres, mas depois esqueceu
Aquela que chegava, deixava tudo fora do tom
Porque não ouço mais aquela nota que marcava o som
Que fala, se cala, que entra, que sai sem lembrar
Que peço, sozinho, não posso com o dia a clarear
Perdoa, agora, entendo, tenho que te confessar
Te vi moldura
De um retrato de outro alguém que me oscila
Porque primeiro me dedura
Mas volta e traz uma paz, tranquila
Eu sei que talvez soe complexo
Mas de frente pro espelho, o retrato, é meu reflexo

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