sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Sobre o mistério de Joyce

 Joyce, seu silêncio me chama
Esse olhar distante, sem drama 
Deve ser calma, uma paz
De quem observa, ouve, mas não faz 

Tenho certeza que ha algo escondido 
Uma inteligência que se amplia pelo ouvido
Como aquela música que se repete sem parar 
E que por isso mesmo te obriga a uma nova, procurar 

É mesmo sua a voz dessa sereia que canta?
Ou no fundo essa voz sai de outra garganta?
Que entre histórias e acordes, comigo cresceu
Trouxe novos timbres, mas depois esqueceu

Aquela que chegava, deixava tudo fora do tom
Porque não ouço mais aquela nota que marcava o som

Que fala, se cala, que entra, que sai sem lembrar 
Que peço, sozinho, não posso com o dia a clarear
Perdoa, agora, entendo, tenho que te confessar

Te vi moldura
De um retrato de outro alguém que me oscila
Porque primeiro me dedura
Mas volta e traz uma paz, tranquila

Eu sei que talvez soe complexo
Mas de frente pro espelho, o retrato, é meu reflexo 















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